Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija! ("Versos Íntimos", Augusto dos Anjos, 1884-1914).

terça-feira, 16 de julho de 2013

Início do Fim


 Eu não devia ter feito isso. Grande parte da culpa pelo que aconteceu é minha. A gente colhe o que planta, e eu plantei sentimentos errados no coração dele. Meus atos silenciosos falaram com ele. Aquele monstro que eu construí simplesmente nunca existiu. Ele é mesmo um príncipe, triste. Cheio de mágoas e ressentimentos e que não aprendeu a amar. Viu em mim uma chance, mas eu, não preparada para isso joguei tudo no lixo. Gostaria de pedir desculpas. Lógico, que a culpa de tudo isso não é somente minha, ele também teve parte nisso, porque é tão parecido comigo que também não tem nenhum tipo de habilidade social. Pai ausente, não teve exemplos de como se relacionar assim como eu. Entendo a sua raiva. Não é incrível como tinha tudo para ser uma paixão louca, e acabou virando nada. Porque eu sempre faço isso? Eu e ele precisávamos disso, mas só agora eu percebi que eu fudi com tudo. 
 Tudo começou quando finalmente consegui ser demitida do meu último emprego que eu simplesmente odiava, era caixa de um restaurante de beira de estrada. Emprego ruim e mal pago que não valia as raivas que eu passava. Na verdade eu nem fui demitida pedi demissão, o que muita gente estava fazendo e que estava deixando o gerente com medo a ponto de implorar para que seus funcionários ficassem, cheguei a ficar com pena. Mas saí, triste por perder contato com alguns dos colegas de que gostava. Antes de ir embora furtei um exemplar de “Madame Bovary” que havia em um espaço para que os funcionários lessem, pelo menos alguma coisa boa eu tirei de lá. Fiquei um ano sem ter o que fazer ou pensar, pensei em escrever um livro, mas não tive ideias boas o bastante para me motivarem, entrei em depressão. Cheguei a passar o dia todo dormindo e acordar só a noite para comer e ver TV até de manhã. Meus pais ficaram muito preocupados, minha mãe principalmente. Não tinha vontade nem de ler coisa que eu amo. Pensei em me matar, mas não tive coragem, mas até que era divertido pensar em possibilidades de como fazer isso. Acredito que não é fácil se matar, tem que ter muita habilidade, invejo aqueles que conseguiram. Para gente alcóolatra ou que usa drogas é muito simples, mas nem disso eu gosto, nunca senti vontade de perder o controle ficar totalmente entorpecida, também  invejo aqueles que tem essa vontade. 
 Acho que se você tem vontade de se drogar se drogue, o que o ser humano mais necessita é sentir, buscamos o tempo todo sentir. Eu queria sentir, as pessoas tem inveja de quem sente. Eu tenho inveja. Queria poder voltar no tempo, quando eu fiquei tão apaixonada a ponto de não conseguir respirar ou pensar direito perto dele. Agora é diferente, não sinto mais nada. Por isso estou triste. Por isso quando você se apaixonar por alguém vá, foda-se todo mundo, foda-se que você pode se ferrar no final, foda-se as consequências, sinta. Pouca gente sente, estar apaixonado é divino e eu não dei importância a isso, e agora estou quase morta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário